O que acontece no cérebro durante um trauma?

O que acontece no cérebro durante um trauma?
Quando pensamos em trauma, muitas vezes imaginamos grandes eventos: acidentes, violência, perdas abruptas. Mas, na psicologia, trauma não é definido apenas pelo evento em si.
Trauma é a forma como o sistema nervoso registra uma experiência como ameaça intensa e incapaz de ser processada naquele momento.
Duas pessoas podem viver a mesma situação e reagir de maneiras completamente diferentes. Isso acontece porque o trauma não está apenas no fato ocorrido, mas na experiência interna de desamparo, medo ou sobrecarga emocional.
Quando uma situação é percebida como ameaça extrema, o cérebro ativa o sistema de sobrevivência.
A amígdala, estrutura responsável por detectar perigo, entra em estado de hiperativação. O corpo libera cortisol e adrenalina. O sistema nervoso autônomo se prepara para lutar, fugir ou congelar.
Em situações muito intensas, pode ocorrer uma espécie de “congelamento” emocional. Nesse estado, o cérebro prioriza a sobrevivência imediata e reduz a capacidade de processamento racional.
O problema é que, quando a experiência não é integrada posteriormente, o corpo continua reagindo como se o perigo ainda estivesse presente.
Existe também o chamado trauma relacional ou trauma de desenvolvimento.
Ele não necessariamente envolve um único episódio marcante, mas experiências repetidas de invalidação emocional, negligência, rejeição ou imprevisibilidade afetiva.
Crescer em um ambiente onde emoções não são reconhecidas ou onde há medo constante pode moldar o sistema nervoso para permanecer em alerta mesmo na vida adulta.
Isso explica por que algumas pessoas apresentam reações intensas a situações aparentemente pequenas. O corpo não está reagindo ao presente apenas. Ele está reagindo a memórias emocionais acumuladas.
Trauma não se manifesta apenas como lembranças intrusivas ou pesadelos.
Pode aparecer como:
Muitas vezes, a pessoa não associa esses sinais a experiências passadas. Mas o corpo registra o que a mente tenta esquecer.
A memória traumática não é armazenada apenas como narrativa verbal. Ela é registrada como memória sensorial e emocional.
Por isso, certos cheiros, sons ou situações podem ativar reações intensas sem que a pessoa compreenda o motivo racional.
O trabalho terapêutico envolve ajudar o sistema nervoso a reconhecer que o perigo passou, integrando a experiência de forma segura e gradual.
A boa notícia é que o cérebro é plástico. Ele pode reorganizar padrões de resposta.
Abordagens baseadas em regulação emocional, terapia cognitivo-comportamental focada em trauma, EMDR e outras intervenções têm demonstrado eficácia na integração dessas memórias.
O objetivo não é apagar o passado, mas permitir que ele deixe de controlar o presente.
Com suporte adequado, é possível transformar respostas automáticas em escolhas conscientes. O que hoje é sobrevivência pode se tornar liberdade emocional.
Rebeca Moraes
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Dra. Rebeca
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